Já dizia Nietzsche que a arte deve sublimar o homem. Deve pô-lo em uma categoria que o amplifique, que saia da lógica das considerações funcionais e cansativas do cotidiano, que o arrebate e o abra ao devir. Parto, então, do princípio de que a arte é, fundamentalmente, estésica, instintiva, primal e prescinde de modelos e categorias (por mais que se compartimente em facções ditas inferiores, superiores e até isentas de um suposto merecimento de serem rotuladas como artísticas). Tipo: "Stallone? É qualquer coisa, mas arte não!"
Mas se arte, de acordo com nosso conceito, é exatamente essa capacidade de a obra transubstanciar-nos pela exposição furiosa de nossos instintos (intelectualidade não conta aqui), e se esses são o que de mais humano, demasiadamente humano, reside em nós (por mais que o negligenciemos), como civilizá-los através de convenções que mais nos conduzem a aceitar aquilo que está previamente moldado e aceito pela dita alta cultura, quando, por sua vez, o filme do Stallone pode nos proporcionar tal sublimação? Sendo assim, a arte é um conceito volátil, passível de distintos estágios psicológicos, não uma consideração estanque e totêmica.
Amigo leitor, esse blog também está suscetível a essas mudanças de estágios (como tudo está) e não negligenciará seus desejos (hoje quis redigir esse texto em tons mais sóbrios, menos relaxados, mas posso perfeitamente mudar o rumo de minha linguagem e supostamente descaracterizá-la ou, dependendo do grau de subserviência acadêmica do quem o lê, enfeiá-la).
Música, cinema e literatura são os campos de abordagem analítica por excelência, mas o transbordamento é aqui visto como prova de saúde: por que não futebol? Ou sexo? Ou quadrinhos? Ou Matemática?
Afinal, arte é principalmente tesão. E tesão a gente não controla, não?
Abraços!
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